Guia de sobrevivência Um Bom Par de Sapatos das estradas do Centro-Oeste

Quando estávamos já no Mato Grosso do Sul, consegui finalmente dar uma definição boa para as estradas do Centro-Oeste: um grande canteiro de obras. Não me leve a mal, viajar de carro está no meu sangue e cruzar o cerrado brasileiro foi uma das melhores experiências da minha vida, mas haja paciência para enfrentar os percalços que as rodovias da região jogam na nossa frente! Pensando nisso, decidi preparar um pequeno guia sobre como tornar suas horas dentro do carro mais agradáveis. A dica mais valiosa eu já dou agora: não deixe a peteca do bom humor cair! Você está de férias, aproveite aquele bloqueio na estrada de mais de dez minutos para apreciar a paisagem 🙂

E já que citei bloqueios, prepare-se: você vai encontrar muitos deles pela frente, especialmente nos Mato Grossos.

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Quando eu falo que as rodovias parecem um grande canteiro de obra, estou falando sério. Vários trechos têm desvios porque a estrada de asfalto está sendo construída (vide a nossa experiência quando saímos de Goianésia) ou simplesmente ainda são de terra; outros estão com apenas meia pista aberta, o que significa que todo mundo passa pela outra metade, seja para ir ou para voltar. Por isso os bloqueios, assim um dos sentidos para pro outro andar. Sem brincadeira, nós passamos por uns dez deles ao longo dos cerca de 2 mil km que percorremos pelo Mato Grosso e Mato Grosso do Sul. Em alguns nós tivemos sorte e passamos direto; em outros, precisamos parar por um bom tempo.

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São tantos bloqueios que as placas TRÁFEGO EM MEIA PISTA e OBEDEÇA O OPERADOR já davam um frio na espinha. Então, se você tem horário para chegar na próxima cidade (como nós tínhamos em Bonito), saia bem cedinho. Ou não marque hora at all, afinal, você está de férias 🙂

Leve água e comidinhas dentro do carro

A melhor compra que fizemos foi ainda em Goiânia, no shopping Estação: uma lancheira térmica com capacidade para até seis garrafinhas de água.  Ter várias delas dentro do carro, e geladinhas, é importantíssimo nessa viagem, porque, se nem asfalto as estradas têm, o que dirá estrutura de paradas ao longo delas! Por isso, levar alguma comidinha dentro do carro, tipo frutas ou salgadinhos, também é uma boa para tapear a fome.

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Desde Minas Gerais, ainda a caminho do Goiás, nossa estratégia sempre foi parar nas cidades pelo caminho para podermos ir ao banheiro, comer alguma coisa e, se precisarmos, comprar mais água. Foi assim que que elegemos Tupaciguara como a parada oficial da viagem até Goiânia (o banheiro da rodoviária é toperson) e conhecemos a Panificadora Super Pão, em Rondonópolis, que faz alguns dos melhores pães doces que já comi (até levamos alguns para o acampamento do rali!).

Internet é um Pokémon raro por essas bandas

Se você está contando com os aplicativos de navegação quando der aquela errada de caminho, pense duas vezes: dificilmente você vai ter sinal de internet nessas estradas. Na real, mesmo sinal de telefone é raro por essas bandas. Então, se você quer atualizar seu Facebook, postar uma foto bafo no Instagram (as estradas do Centro-Oeste são muito instagramáveis) ou só atualizar o mapa do Google, minha dica é: faça isso em alguma cidade. Nem todas têm internet boa, Bonito que o diga, mas sempre tem algum lugar que o sinal pega e você consegue resolver sua vida internética. De resto, aproveite para fazer um detox de tecnologia!

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E já que eu falei de aplicativos de navegação…

O Universo mandou um recado antes de enfrentarmos os tais 80 km de estrada de terra: em um dos raros momentos com internet, o Waze atualizou o percurso para que chegássemos 40 minutos antes. Acontece que esse percursos incluía uma estrada cheia de desvios, na terra, com pontes velhas com vão central, costelas de vaca e totalmente deserta. A lição que aprendemos: antes de confiar em aplicativos de navegação, entrávamos no Google Maps para ver os possíveis percursos e conversávamos com o pessoal do rali para sabermos o melhor caminho. Foi assim que escapamos de uma estrada de terra cheia de caminhão que levantaria poeira entre Coxim e Bonito – não que o nosso caminho tenha sido mais suave, já que foram mais de 600 km, bloqueios mil e estrada cheia.

Se você não tem a chance de conversar com pessoas que já passaram por esses lugares (oi, pode me mandar mensagem que eu te ajudo!), dê uma pesquisada na internet, entre no Google Earth para ter uma visão de satélite da estrada. E pense duas vezes antes de seguir o caminho novo que o Waze te informou, pode ser uma furada.

Por fim, lembre-se sempre que roadtrip é sempre uma grande aventura, então vá de braços abertos para abraçar o inesperado. Uma coisa eu posso te garantir: atravessar o cerrado é um troço legal demais, você não vai se arrepender!

Pajeo Dakar_rio Araguaia_GO

 

Escrito por

Carioca apaulistada, jornalista, 26 anos. Gosta de escrever, viajar e um monte de outras coisas que não caberia nessa descrição.

2 comentários em “Guia de sobrevivência Um Bom Par de Sapatos das estradas do Centro-Oeste

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