Para onde você leva um turista para passear em São Paulo?

Sempre me faço essa pergunta do título. Eu não sou do tipo que acredita que São Paulo não tem um potencial turístico. Acho, sim, que muitos de nós conhecemos pouco da cidade e muitas vezes ficamos restritos aos shoppings como única opção de lazer da cidade, então sempre achamos que não tem mais nada pra ver por aqui.

Eu só tive uma oportunidade de ciceronear uma gringa por aqui e, naquela ocasião, foi a própria Gözdem quem decidiu o que faríamos. Mas com Adriano a história foi um pouco diferente.

Adriano é um amigo da Itália da minha irmã. Ele veio passar o mês de férias aqui para conhecer um pouco o Brasil e visitar a amiga dele. Até aí, nada com que eu realmente precisasse me preocupar, já que a agenda deles é a agenda deles.

Aí que outro dia eu fui para a Pinacoteca com eles. Fazia um tempão que eu não visitava a Pinacoteca e sempre acho um passeio massa – o prédio do museu é uma das coisas mais lindas de São Paulo e a passagem pela estação da Luz é um bônus maravilhoso. Só que, na metade do passeio, minha irmã lembrou que tinha consulta médica e me pediu para ficar com ele.

Adriano PinacotecaNaquela hora, realmente me passou pela cabeça, por um ou dois segundos, a ideia de que não tem nada para fazer em São Paulo com um gringo. Mas acho que o que realmente me assustou foi a velha história de que cada um viaja de uma maneira diferente. Eu me esbanjo quando estou em uma cidade diferente. Caminho quilômetros e quilômetros, fico encantada com praças, com ruas, com prédios, com pessoas, me adapto 100% ao urbano. E eu não conhecia Adriano para saber do que eu ele gostaria de saber – e ele também não tinha tanta noção da cidade para responder essa pergunta.

Mas depois daquele um ou dois segundos, lembrei que São Paulo é tudo, menos entediante. E que o que não falta é lugar para ver no centro.

Levei Adriano para o Mercado Municipal, um dos lugares que mais gosto de visitar na cidade. Ali a gente poderia almoçar, sentir o cheiro das frutas e dos condimentos e ainda dar um rolê pela 25. Acho que a região da 25 de março é importante demais na cidade para os estrangeiros ignorarem – não digo nem para fazer compras, mas como experiência, mesmo, para viver a cidade.

Adriano provou pitaia amarela e atemoia. Comeu escondidinho de carne seca, pastel de bacalhau e ficou especialmente encantado com chope. Contei um pouco sobre a região, passamos no CCBB e no Pátio do Colégio, pegamos a ladeira Porto Geral lotada e passamos em frente ao prédio do Banespa. Por fim, pegamos o metrô às 17h – lotado, é claro. Full São Paulo Experience.

São Paulo é gigantesca. Falar que não tem o que fazer por aqui é, no mínimo, desconhecer muito a cidade. Mas faz sentido: muitas vezes, os turistas conhecem mais da cidade em que vivemos do que nós mesmos.

 

 

Escrito por

Carioca apaulistada, jornalista, 26 anos. Gosta de escrever, viajar e um monte de outras coisas que não caberia nessa descrição.

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