Malas de viagem e eu: uma história de amor e ódio, só que sem a parte do amor

Eu tenho sentido uma certa nostalgia da vigem que fiz pras ilhas, especialmente da Escócia e da Irlanda, e costumo alimentá-la com cinema e estudos sobre as línguas locais – o gaélico irlandês e o gaélico escocês.

Pois esses dias eu estava vendo Trainspotting 2 e logo no comecinho do filme você tem uma visão de Edimburgo vista do tram. Quando eu estive na cidade, esse tram ainda não existia, e a Prince St, uma das ruas por onde o tram passa e dá acesso à estação Waverley, estava em obras.

Naquela viagem, talvez vocês se recordem de outros posts, eu levei uma mala gigantesca de rodinha. Gigantesca mesmo. Tão gigantesca que eu cabia dentro dela! Eu já tinha sofrido horrores em Londres, quando tive que arrastar aquele chumbo por vários quarteirões até chegar no albergue e, depois, quando fiz o caminho inverso do albergue até a estação. Aí eu cheguei em Edimburgo.

Pra começo de conversa, a estação também estava confusa, acho que tinha alguma obra nela e sair foi um parto. Precisei encarar vários degraus, o que, àquela altura, já nem me incomodava mais (mentira, foi bem difícil). Mas foi só quando cheguei no topo da escada que me deparei com o meu maior desafio: cruzar uma rua inteira em obras, cheia de desvios e pedregulhos.

Da estação até o albergue foram oitocentos metros percorridos em, no mínimo, meia hora. De tempos em tempos eu tinha que parar no meio do caminho para dar um descanso para minhas mãos, que já estavam até com bolhas de tanto que eu puxei aquela bagaça. Sério, gente, aderir ao mochilão foi uma das melhores escolhas que já fiz enquanto viajante. Adotem essa ideia.

Cruzei a Prince St. inteira até chegar naquela portinha que dava acesso ao Caledonian Backpackers. Achei que minha epopeia havia terminado, mas assim que entrei, percebi que não tinha elevadores. E meu quarto ficava no terceiro andar.

Passei uma semana em Edimburgo e praticamente todo dia passava em frente a uma loja que vendia mala. Foram várias as vezes em que quase entrei e comprei duas pequenas para poder dividir o peso, só pensando em como seria descer os três andares do albergue e cruzar a Prince St. em obras novamente. Aquela mala gigante me atormentava, principalmente porque era minha segunda semana de viagem e eu já tinha notado que não usaria metade das roupas que estavam dentro dela. Em Londres eu já havia usado a pia do banheiro para lavar as camisetas que usava mais, e no albergue de Edimburgo tinha lavanderia, então eu usei quase que literalmente a mesma meia dúzia de roupa nos 21 dias que passei fora. E mesmo assim tinha que conviver com a tal malona.

Eu não comprei as malas menores porque a libra era muito cara. Em vez disso, uma semana depois eu me resignei com aquela geladeira, arrumei tudo, desci os três andares do albergue e graças a Deus não precisei cruzar os 800 metros da Prince St., já que pertinho do albergue passava um ônibus que seguia direto para o aeroporto. Naquele momento, eu realmente achei que todos os meus problemas com a mala tinham acabado, mas mal sabia eu que a ida pra Irlanda ainda me reservava surpresas desagradáveis.

(Sim, vai ter post sobre isso algum dia, se aquietem)

Escrito por

Carioca apaulistada, jornalista, 26 anos. Gosta de escrever, viajar e um monte de outras coisas que não caberia nessa descrição.

2 comentários em “Malas de viagem e eu: uma história de amor e ódio, só que sem a parte do amor

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