A fascinante história do edifício Kavanagh

Conheci uma das histórias mais fascinantes de toda Buenos Aires durante uma ida ao cinema. O filme em questão era Medianeras, película belíssima de Gustavo Taretto, e retrata a vida de Martin e Mariana, dois personagens que moram em prédios vizinho na avenida Santa Fe. A tal história surge pela boca de Mariana, vitrinista e apaixonada por prédios: é a história do edifício Kavanagh, localizado no bairro do Retiro. É uma lenda que envolve vingança e é tão maravilhosa que eu não entendo como até hoje não fizeram um filme com esses personagens.

Voltemos para a Buenos Aires do começo do século XX, época em que uma nova elite começava a surgir. Essa nova elite, é claro, era totalmente desprezada pela velha aristocracia – a velha rixa de novos ricos x ricos tradicionais. Nesse cenário, acontece o clichê: Corina Kavanagh, oriunda dessa nova elite, se apaixona por um dos filhos de Mercedes Anchorena. Membro da aristocracia tradicional da cidade, Mercedes não permite que o relacionamento aconteça e casa o família com outra mulher.

A história poderia terminar por aí, não fosse a sede de vingança da riquíssima e poderosíssima Corina Kavanagh.


Vamos falar sobre a arquitetura dessa região da cidade: no meio de tudo encontra-se a Plaza San Martín. De um lado dela está o Palácio Anchorena; do outro, um dos primeiros arranha-céus que nasceram na cidade portenha, construído entre 1934 e 1936 a mando de Corina. E atrás desse edifício, escondida por toneladas de concreto, encontra-se a Basílica do Santíssimo Sacramento.

FIGURA 4

Essa igreja foi construída para guardar os restos mortais da tradicional família Anchorena e era vista do terraço do palácio. Ao construir um edifício de 120 metros de altura, Corina bloqueou essa vista. E mais: o acesso à igreja ficou restrito a uma viela batizada de Corina Kavanagh. Quem nunca construiu um prédio apenas porque não podia ficar com o crush, não é?

Diz-se que o edifício Kavanagh até hoje abriga vários apartamentos de luxo, e a própria Corina viveu em um deles, no 14º andar. Provavelmente bebendo uns bons drinks enquanto olhava pela janela e ria da senhora Mercedes Anchorena.

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A vista do edifício Kavanagh a partir da plaza San Martín. E esse na foto, perto do canto inferior esquerdo, foi o amor da minha vida que tirou um caderno da mochila, fez uns desenhos, pegou a muleta e foi embora para sempre (insira aqui um emoji de coração partido)
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O edifício mais de pertinho. Eu não consegui subir, mas vale perguntar na recepção por visitas guiadas
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A igreja vista da calle Corina Kavanagh. Dei gostosas risadas nesse momento.

O pessoal da Cultour tem um passeio bem legal pela região da Recoleta que também passa pelo edifício Kavanagh. Eles são sempre minha dica para quem pede sugestões de tour pela cidade.


Ah, sim: parece que existe uma série de livros eróticos que tem como personagem principal a família Kavanagh. Eu não entendi direito a história, mas sei lá, né? Fica a sugestão aí.

O desenho aí de cima é do Desenhador do quotidiano, que tem várias outras ilustrações lindíssimas no site.

 

Escrito por

Carioca apaulistada, jornalista, 26 anos. Gosta de escrever, viajar e um monte de outras coisas que não caberia nessa descrição.

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