As várias narrativas que uma cidade pode ter

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Esse mês, estou fazendo um curso no Centro de Pesquisa e Formação do Sesc de São Paulo. Até pouco tempo atrás eu não conhecia o CPF e descobri que lá tem vários cursos bem bacanas. Eu tenho feito alguns sobre urbanismo e são sempre muito interessantes. O que estou fazendo agora chama-se Fotografia e cidade: narrativas visuais de São Paulo e é composto por quatro aulas. A primeira foi semana passada e não foi exatamente o que eu esperava. Ontem foi a segunda.

Todos que ministram as aulas são fotógrafos, o que significa que muito do conteúdo tem termos técnicos da área. Área essa que eu não conheço muito, só vou até a parte de tempo e abertura do obturador. Está sendo interessante aprender que muitos dos fotógrafos preferem a câmera analógica, muito por causa de não saber exatamente como saiu a foto até ela ser revelada.

Felipe, o palestrante da segunda aula, é um apaixonado pela arte de caminhar. O que eu mais gosto de pessoas que dividem comigo a paixão pelo caminhar é que cada um tem uma visão diferente da cidade e é muito interessante conhecer um pouco mais da visão daquela pessoa sobre São Paulo, por exemplo. Felipe é fotógrafo, e só isso já faz com que ele enxergue a cidade de uma maneira diferente da minha.

Por que eu tô falando tudo isso? Porque eu sempre penso sobre esse assunto quando viajo. Tudo bem, o tema do curso é São Paulo, mas essa visão particular se aplica a qualquer cidade do mundo. Eu vejo Londres diferente de outras pessoas que viajaram pra cidade. Não só porque minha vivência na cidade foi diferente, mas porque toda minha experiência de vida me levou a ver a cidade desse jeito. É muita brisa minha? Acho que não.

Eu fiquei pensando muito sobre tudo isso durante a aula de ontem e eu acho isso muito incrível. Uma cidade pode ser várias cidades. Felipe, que tem alguma formação em biologia, tem um projeto de tirar fotos das sibupirunas. Eu nunca dei tanta atenção nas sibupirunas, mas diz ele que elas são essas árvores clássicas de São Paulo e variam muito de acordo com a região – no centro elas são mais nuas por causa dos anos e anos sendo podadas. Em Alto de Pinheiros, mais frondosas.

Felipe também parece um pouco cansado da cidade. Eu, dez anos mais nova, não consigo imaginar uma vida menos urbana. A câmera dele reflete essa visão. Os meus textos refletem essa visão.

Mas acho que tudo isso afunila para uma coisa: o caminhar. Quando você caminha, você observa mais, você percebe mais pequenas nuances da cidade que passam a fazer parte da sua cidade. Faz sentido? Na minha cabeça, quando você caminha, mas caminha sem compromisso, sem correr, sem hora, só respirando a cidade, você vai montado a sua cidade. Caminhar molda essa sua visão da cidade.

E eu não me baseei em estudo nenhum, é só achismo, mesmo. Caso você já tenha lido alguma coisa sobre isso, me manda. E, Felipe, caso você leia esse texto bem loucão, me manda as referências sobre caminhar que você falou na aula, por favor. E me explica mais essa sua visão da obra de Francesco Careri. E manda um beijo para a Xuxa e para a Sasha.

Escrito por

Carioca apaulistada, jornalista, 26 anos. Gosta de escrever, viajar e um monte de outras coisas que não caberia nessa descrição.

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