Praia com chuva e trovoadas

Quando vamos para o Rio, costumamos ficar na praia da Reserva, ali entre a Barra e o Recreio. É uma praia em que o mar puxa mais e é um pouco agitado, mas é razoavelmente mais vazia que as outras.

Pois estávamos nessa praia no dia 30 de dezembro, sexta-feira, quando nuvens negras começaram a despontar no horizonte. Encarar chuva na praia não é exatamente uma novidade para nós – nossa regra é: se não tiver trovão, continuamos. Mas tinha trovão. E assim que o primeiro CABRUM! surgiu, não tivemos dúvidas: começamos a empacotar nossas coisas o mais rápido possível para dar o fora dali. Só que, assim como nós, todo o resto da praia pensou do mesmo jeito, e de repente a areia parecia uma cena do êxodo.

Agora, caso você nunca tenha ido para essas bandas das praias do Rio de Janeiro, deixe-me explicar como funciona o sistema para estacionar os carros por lá: além das tradicionais vagas na rua, também existem estacionamentos em terrenos grandes do outro lado da orla da praia. E muitas vezes esses terrenos são ligeiramente mais baixos que a rua, o que significa que é preciso construir rampas para os carros descerem e subirem. Nós estávamos em um desses estacionamentos e a rampa era toda de terra. E começou a chover.

Na verdade, antes mesmo da chuva começar a cair o caos já estava instaurado. Como todo mundo havia saído da praia ao mesmo tempo, um congestionamento monstruoso formou-se na av. Lúcio Costa e no próprio estacionamento. E o caos só aumentava na medida em que os carros tentavam subir a rampa de terra, não conseguiam, cavavam cada vez mais o piso e, por vezes, batiam. De uma hora para outra, os homens no recinto tornaram-se especialistas em lidar com terra molhada e tentavam subir sem tomar distância e com o carro lotado de pessoas.

Foi aí que surgiu uma das figuras mais maravilhosas do réveillon todo. A mulher poderia ser a sósia da MC Carol e estava claramente bêbada. Com latinha de cerveja na mão, ela esbravejava contra o que parecia ser todo mundo, mas logo descobrimos que o alvo das críticas era um cara em especial que também estava bêbado e dirigia um Ka. Era difícil dizer se eles estavam ou não juntos, mas sabemos que a sósia da MC Carol estava puta porque precisava passar no mercado para fazer a ceia de ano-novo.

Os dois continuaram discutindo a plenos pulmões até o cara entrar no carro acelerar e conseguir vencer a rampa de terra molhada. Assim que o fez, saiu do carro e meio que comemorou, meio que mandou um chupa para a nossa sósia que, em resposta, apenas gritou para ele tirar o carro do caminho porque estava atrapalhando as outras pessoas (com muito mais palavrão, diga-se de passagem, porque ela falava muito palavrão).

VAMOS ACELERAR UM POUCO PARA QUANDO NÓS FINALMENTE ALCANÇAMOS O TOPO DA RAMPA (digo finalmente porque tinha muito carro na nossa frente, pois mamãe subiu rapidinho e sem nem fazer esforço)

Os dois estavam juntos (discutindo, mas juntos) em frente ao carro (que, apesar de ter subido a rampa, não saiu muito do lugar porque a avenida estava travada). Ela segurava um isopor em uma mão, cerveja na outra. Ele estava apenas com a cerveja. Os dois pareciam discutir (sobre a ceia do ano-novo, talvez?), mas definitivamente estavam juntos. E essa descoberta casou direitinho com o roteiro de filme de apocalipse que eu já tinha feito na minha cabeça a partir daquele tumulto todo no qual os dois, vejam só!, tinham que vencer as adversidades juntos (apesar de se xingarem o tempo todo)!

MAS A HISTÓRIA NÃO TERMINA POR AQUI!

Outro casal ainda vai protagonizar essa epopeia!

É que depois que subimos a rampa, pegamos a avenida sentido Recreio e paramos no trânsito. Mas paramos mesmo, do carro não andar, não aquela coisa de TRÂNSITO INTENSO do Waze. Eis que naquele estacionamento em plena av. Lúcio Costa, um casal sai de um carro alguns metros a nossa frente e começa a dançar. Sim, no meio dos carros, com o mar ao fundo, aquele clima apocalíptico-praiano. E eles dançavam felizes, sorrindo, enquanto todo mundo ao redor xingava o trânsito.

Eu tava lá, foi lindo.

(Depois a mina cansou, o cara não, os dois meio que brigaram. Fim.)

Escrito por

Carioca apaulistada, jornalista, 26 anos. Gosta de escrever, viajar e um monte de outras coisas que não caberia nessa descrição.

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