Diário da Flip: dia 3

Enquanto Irvine Welsh mastigava seu inglês escocês no palco da última mesa de ontem, eu só conseguia me perguntar como eu sobrevive por míseros seis dias na Escócia. Algumas vezes cheguei a usar o tradutor simultâneo para entender alguma coisa, e quando Bill Clegg, de Nova York, começava a falar, aquilo soava como um oásis linguístico no meio do caos.

A última mesa do dia na Flip, aquela das 21h30, é reservada para a boemia. Ontem debatia-se, entre outras coisas, as drogas; hoje, o sexo. Só que faltou uma boa mesa de bar para os debates serem mais interessantes.

É muita Flip para uma pessoa só. Paraty inteira respira cultura, e eventos pipocam por todos os lados. Eu já tinha traçado uma agenda nas conversas da tenda dos autores, então me sobrou pouco tempo para realmente desbravar a cidade como se deve. Algo para anotar para o próximo ano: dar mais atenção ao que acontece ao redor da Flip do que somente ao evento principal em si. Vivendo e aprendendo, né?

Mas hoje consegui dar um pulo aqui e acolá e fui parar na Casa da Cultura. As crianças dominavam, como uma boa Flipinha deve ser. Chegaram na palestra fazendo barulho e interagindo, porque criança não tem vergonha dessas coisas – aí a gente cresce e fica assim.

Flip_Jout Jout
Tietei Jout Jout sim

Não é difícil cruzar com alguma celebridade. Eu mesma já encontrei Lúcio Mauro Filho fazendo o trajeto tenda-livraria algumas vezes. Parece que ele é gente como a gente e vai investigar mais sobre o autor depois de ouvir uma palestra.

JP Cuenca
J.P. Cuenca pronto para assinar uns livros

O dia foi meio preguiçoso. Passei um tempo conversando com as meninas no quarto pela manhã, tomei um café da manhã caprichado, ainda matei mais um pouco de tempo antes de sair para a rua rumo à primeira mesa.

Repetirei até o fim: vir à Flip é descobrir um mundo novo de escritores. Hoje descobri Valeria Luiselli e Karl Ove Knausgård – aliás, uma das mesas mais esperadas dessa edição.

E sabe quem mais tem roubado a cena aqui em Paraty? Os cachorros que andam pra lá e pra cá. Eu, particularmente, já adotei um:

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Encontrei com ele novamente hoje algumas vezes, uma delas na Praça da matriz. Já cogitei até dar um nome para ele, mas ainda não me veio nada na cabeça.No fim da noite de hoje, fui procurá-lo e ele estava esperando que alguma coisa caísse das mesas dos bares.

O cansaço bate e, por isso, não vou mais me alongar. Apenas digo mais uma vez – e direi isso pelo menos até voltar novamente para a Flip: aqui é um lugar de amor à palavra.

 

Escrito por

Carioca apaulistada, jornalista, 26 anos. Gosta de escrever, viajar e um monte de outras coisas que não caberia nessa descrição.

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