Diário da Flip: dia 2

Se eu viesse 50 vezes para Paraty, nas 50 vezes eu me perderia 50 vezes. Como faço para sair do centro histórico em direção ao albergue, me Deus? E, não sei se vocês sabem, mas a Paraty e a internet não são as melhores amigas – embora eu já tenha vivido dias bem mais sombrios por aqui…

Eu me atrasei para a primeira mesa do dia. Na verdade, não: decidi dormir mais um pouco sem saber se conseguiria acordar a tempo. Mas acordei, tomei café da manhã e, sem casaquinho (uma decisão arriscada para as manhãs de Paraty), rumei para a tenda dos autores, na praia do Pontal.

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Dormindo de boa na entrada da tenda. E na saída também. Ele dormia o tempo todo e só mudava de posição para tomar um sol

Já cheguei à conclusão de que sairei daqui com uma lista gigante de autores que preciso conhecer. A primeira mesa foi assim: inspirada na própria Ana C. (QUE MULHER), três poetas de textos maravilhosos conversaram sobre poesia e estou apaixonada pelas três.

Aliás, hoje seria o dia mais corrido: eram três mesas durante o dia mais uma daqui a pouquinho, às 21h30.

Para quem se pergunta: vir pra Flip não é barato. Os hotéis e albergues superfaturam muito em cima do evento, do tipo UMA CAMA DE ALBERGUE CUSTANDO MAIS DE OITENTA PILAS (isso quando eu reservei, há uns meses, agora tava 200). E cada mesa é paga. E você vai comprar um livro ou outro de autores que vai conhecer no próprio evento. Fica o aviso.

Livraria da Travessa
Tem uma livraria atrás da tenda e parabéns para o VM, hein?, porque ela é feita exatamente para você sair de um debate, bater o olho e falar OLHA AQUI O LIVRO DO AUTOR QUE EU ACABEI DE OUVIR, VOU COMPRAR!

A segunda mesa foi sobre um tema pelo qual tenho grande apreço e que me faz escrever esse blog: cidades e mobilidade a pé. Às vezes caía até uma lagriminha – como esse tema tem sido cada vez mais debatido, né, gente? Torço para que, aqui no Brasil, cada vez mais prestemos atenção a ele e façamos nossas cidades mais adequadas para os pedestres.

Eu tenho um quê de saudosista, e por isso fui procurar o tailandês onde jantei há uns anos com uns amigos – chama-se Thai Paraty e fica do outro lado da ponte, onde tem a tenda, subindo uma ladeira.

O que o meu momento crítica literária pode falar dele: o serviço é leeeeento. Do tipo: cheguei com mais de uma hora de folga e consegui me atrasar para a mesa! Minha bebida também não veio nunca e se você não está na varanda, prepare-se para ficar com cheiro de comida o resto do dia.

O lado positivo: a comida é uma delícia e, apesar de não ser barata, também não é um absurdo de cara. Se você não tem hora para sair, é uma boa pedida. Fica na av. Princesa Isabel, 37.

*

Sempre falam que viajar sozinha é se conhecer mais e nessa Flip tô vivendo essa catarse. Tudo muito misturado, várias paixões convivendo juntas. E em Paraty, que é uma cidade que tem meu coração há muitos anos. Aliás, por onde você anda tem evento. Tem cinema, tem debate, tem sarau, tem programação para crianças , tem de um tudo. A cidade está cheia, está viva. É bonito de ver.

Tudo isso para contar que a terceira mesa foi sobre jornalismo e, caras, como jornalismo bem feito é emocionante. Bonito, sabem? De fazer chorar, mesmo. De abraçar o jornalista por fazer um trabalho tão lindo – o jornalista, no caso, era o Caco Barcellos, QUE HOMEM!

Voltei para o albergue e, enquanto tentava me achar pelo tanto de vielas dessa cidade, entrei em uma loja. A vendedora logo me perguntou: você é escritora? Respondi que não, que era uma jornalista, “que é meio que isso”, mas, lá no fundo, me fiz a questão: quem sabe?

Escrito por

Carioca apaulistada, jornalista, 26 anos. Gosta de escrever, viajar e um monte de outras coisas que não caberia nessa descrição.

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