Diário da Flip: dia 1

Não se deixe enganar: ir para Paraty de ônibus não é mamão com açúcar. Para chegar até aqui, foram necessárias sete horas de curvas e mais curvas e mais curvas e mais curvas; duas paradas; gente reclamando que o motorista fez duas paradas; gente com fome. Mas cheguei, enfim, e fui recebida por uma cidade vibrante e cheia.

Não é a minha primeira vez por essas bandas. Já pulei por esses paralelepípedos algumas vezes, teve até reveillon, vejam vocês, dancei na frente da Igreja de Santa Rita e tudo. Mas é a minha primeira Flip e, para ser sincera, não sabia muito bem o que esperar. Foi só quando eu já estava dentro da Tenda dos Autores, com Armando Freitas Filho e Walter de Carvalho batendo um papo, que percebi que tudo se resume àquela a quem eu tenho tanto amor: a palavra.

flip mesa dos autores
Várias epifanias por aqui

Mas não vamos nos apressar. Antes de tudo, viemos, eu e minha mala, ao encontro do albergue que me empresta o wi-fi para que esse post chegue até você. O escolhido foi o Che Lagarto e é a coisa mais linda – mas dele falo em um post específico. O que preciso contar agora é que ele fica pertinho do centro histórico, o que facilita bastante as idas e vindas para a tenda dos autores e suas adjacências.

Aliás, essa é uma informação importante: a tenda fica do outro lado da ponte, fora do tal centro histórico, na praia do Pontal. Diz que é para deixar que a praça da matriz seja tomada por aqueles que tem o verdadeiro direito sob ela: os habitantes de Paraty. Ali ficam coisas como a Flipinha e Flipzona.

A sessão de abertura estava cheia. Nela, o poeta e o cineasta debateram poesia, cinema e tudo que existe entre essas duas obras. Falaram, também, um pouco sobre Ana C., homenageada da Flip de 2016 e a quem estou aprendendo a gostar um tantinho mais a cada poesia que passa.

E talvez seja pela minha formação de jornalista, ou porque escrevo desde que me entendo por gente, mas refleti bastante sobre os (não) limites da palavra. Afinal, tanto Armando quanto Ana C. exploravam o limite do texto de uma forma tão linda que em certos momentos chego a ficar emocionada.

Manjerona_Paraty

Voltei com a mente a mil no albergue e eis que no meio do caminho tinha uma cantina, a Manjerona. O preço era amigo e tinha gnocchi, o que vem bem a calhar para um dia 29. Pedi um vinho, abri um livro e esperei o prato. A massa tinha bastante gosto de batata, mas estava quase derretendo de tão cozida e era um pouco gordurosa. Mas o vinho estava bom, o livro estava bom, então tudo estava bem.

Amanhã me aguarda um dia cheio e já estou esperando com ansiedade por ele. Se o resto da Flip for o que se desenhou hoje, voltarei para São Paulo cheia de novos autores preferidos na bagagem.

 

Escrito por

Carioca apaulistada, jornalista, 26 anos. Gosta de escrever, viajar e um monte de outras coisas que não caberia nessa descrição.

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