Como não ficar sozinha quando se viaja sozinha

(Ou: um pequeno diário explicando por que ficar em um albergue é legal pra caramba)

Domingo, 17 de janeiro de 2016

Eu estava em Buenos Aires há apenas algumas horas. Tinha deixado minha mala no quarto, passeado um pouco pelos arredores e voltado ao albergue para tomar um banho e descansar. Mas aí chegaram minhas companheiras de quarto, uma francesa e uma britânica, acho, e avisaram que iam tomar uma cerveja no bar do terraço, “você não quer vir junto?” Fui, de pijama e tudo, e fiquei algumas horas batendo papo enquanto apreciava a vista da cidade.

vista_albergue_BsAs

Segunda, 18 de janeiro de 2016

Já tinha visto na programação do albergue o tal walking tour que teria e, sendo a louca dos walking tours, aderi ao passeio. Conversei com um sem número de pessoas ao longo do passeio até terminarmos num bar vendo um show de tango, já no fim do dia. Cada um de um albergue diferente, mas muitos razoavelmente próximos. Por isso que, na volta, fomos todos juntos até chegarmos a uma Plaza de Mayo inundada por um protesto. Ainda nos demoramos um pouco mais por ali antes de partirmos cada um para um lado diferente.

De volta ao albergue conheci Ana, portuguesa que viria morar no Brasil, mas, antes, estava dando uns rolês pelos outros países. Papo vai, papo vem, decidimos nos juntar ao tour por La Boca que teria no dia seguinte.

Terça, 19 de janeiro de 2016

Eu e Ana nos perdemos do tour antes mesmo dele começar. Pois é. No lugar disso, visitamos o Teatro Cólon – que é lindo, aliás. Saímos já mortas de fome e paramos em uma pizzaria que, pelo que parece, é bem famosa na cidade – tenho certeza que o nome está anotado em algum lugar, me dê um mapa de Buenos Aires que eu mostro mais ou menos onde fica. Passeamos durante a tarde e voltamos ao albergue planejando fazer a aula de tango que teria mais tarde.

Teatro Colon

Mas acabou que nunca cheguei a fazê-la. Assim que passei pela área comum, encontrei algumas pessoas que tinha conhecido no tour do dia anterior – inclusive uma coreana que nem do nosso hostel era. Ela me contou que o pessoal do lugar onde ela estava hospedada, o América del Sur, faria um churrasco e nos convidou para ir, e o que se seguiu foi a melhor noite que tive enquanto hóspede de albergues.

Éramos umas trinta pessoas de diversas partes do mundo ocupando o terraço do albergue, a maioria do próprio América del Sur – mas alguns forasteiros, tais como eu, Jim, Matt, da Austrália, Alistair, da Inglaterra, e o canadense -que-eu-não-lembro-o-nome. Conversamos, comemos, secamos a geladeira de cerveja do albergue e só quando começamos a tocar violão e cantar é que fomos convidados gentilmente a entrar – aparentemente estávamos fazendo muito barulho e os vizinhos não estavam gostando.

Fomos para a sala de estar e lá entramos em uma verdadeira torre de babel. Falávamos português, espanhol, inglês, alemão e francês e, de alguma maneira, todos nós nos entendíamos. Dançamos, rimos, trocamos experiência e só abandonamos aquela reunião já passada das duas da manhã – na caminhada de volta ao Portal del Sur, me senti a pessoa mais feliz do mundo.

Quarta, 20 de janeiro de 2016

A cronologia começa a falhar um pouco a partir de agora. Sei que foi nesse dia que Alistair foi embora, e fiquei tristíssima por, àquela altura, não saber nem o nome dele (só nos reconhecemos uns dias depois por meio do Facebook!).

Naque dia, Jim e Chris, o americano, queriam dar uma volta por La Boca e me chamaram.

Fomos a pé.

Eles queriam ver o Caminito, mas antes cruzamos com a Bombonera e achamos de bom tom fazermos o tour pelo estádio. Almoçamos ali na frente um belo bife de chorizo por um preço camarada e fomos para a rua com casinhas coloridas (tenho certeza que, em certo momento, alguém se referiu ao Caminito assim). Caminhamos pra burro.

Voltamos de táxi.

La Bombonera
Enquanto o Jim ouvia a guia explicando, em inglês, o que eu e Chris já tínhamos escutado em espanhol, essa foto saiu

Quinta, 21 de janeiro de 2016

Era a primeira vez que eu saía sozinha do albergue desde segunda e, confesso, a solidão bateu um pouco. Mas eu me meti em outro tour e o jogo virou, kiridinha. Primeiro conheci um brasileiro, o Paulo, e aos poucos ele me apresentou ao pessoal do hostel dele. Foi assim que acabei dividindo o dia com ele, um italiano, duas alemãs e um cara que era uma salada de frutas: canadense que vivia na Bélgica (ou será que é o contrário?) e tinha descendência japonesa e israelita. Ou seja: uma mistura.

flor_Buenos Aires

Dividimos o tour, o almoço e um passeio pelo museu de Belas Artes. Também tínhamos planos de dividir o jantar, mas parece que o albergue dele não era tão amigável com convidados e não pude ir até a cozinha com eles =(

Sexta, 22 de janeiro de 2016

Jim e Matt resolveram me acompanhar por mais um passeio por La Boca, mas a companhia deles durou pouco: o tour se separou e eu fiquei com o outro grupo (passei o dia sendo xingada por causa disso? Sim). Ali eu encontrei o Paulo e mais um monte de brasileiro. De lá fomos para San Telmo e Puerto Madero, aquele pedaço de Buenos Aires que parece qualquer cidade, menos Buenos Aires. Foi um longo percurso que terminou com um passeio pelo parque ecológico – eu e Paulo queríamos chegar ao rio, mas descobrimos que ele era meio distante e desistimos.

Talvez tenha sido nesse dia (não sei, pode ter sido na quinta, também) que eu subi no terraço e encontrei Matt, Jim e o canadense-que-eu-não-lembro-o-nome e acabamos indo parar num restaurante em San Telmo e ajudando um japonês sozinho a decifrar o menu. Ah, sim: o vinho também era bom pra caramba.

Sábado, 23 de janeiro de 2016

Tínhamos outro churrasco planejado no América del Sur, esse albergue tão maravilhoso que recomendo tanto quanto o meu. Também era meu último dia na cidade, então eu precisava fazer algumas coisas – tipo comprar alfajor! Cruzei com os australianos algumas vezes ao longo do dia, mas aquele sábado ficou meio em stand by, como se esperasse pela festa da noite.

Encontrei muita gente que fui conhecendo ao longo da semana, ajudei Andres, argentino de Mendoza, a acender a churrasqueira (leia-se: quebrei umas madeiras) e passeava para lá e para cá no terraço. Foi uma despedida de primeira classe de Buenos Aires, e só me despedi daquelas pessoas maravilhosas tarde da noite. Abracei cada um como se fosse um amigo antigo e fui para o albergue apaixonada por Buenos Aires e por todos que conheci nos meus dias pela cidade.

Domingo, 24 de janeiro de 2016

Vi Jim e Matt subindo as escadas para o café da manhã, mas acabei não me despedindo. Vou usar isso como argumento para eles passarem pelo Brasil.

(Da última vez que eu soube, os dois estavam na Bolívia)

Escrito por

Carioca apaulistada, jornalista, 26 anos. Gosta de escrever, viajar e um monte de outras coisas que não caberia nessa descrição.

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