A Paulista aberta aos domingos: um outro olhar sobre a avenida

Depois de um daqueles mega protestos de junho, em 2013, em São Paulo, mandei uma mensagem para a Alessandra Alves falando da sensação de pertencer à cidade que eu sentia enquanto estava sentada no canteiro central da Avenida Brigadeiro Faria Lima vendo as pessoas passarem, preenchendo todo o espaço que era reservado para os carros. Na ocasião, ela me respondeu que era exatamente assim que ela se sentia quando corria.

Fast forward para 2015. Outro dia escrevi sobre a avenida Paulista e, no final do post, falei rapidinho sobre o fato de abrirem a avenida só para pedestres aos domingos. Na cidade, outras vias também têm sido fechadas para os carros e essa tem sido uma medida bastante polêmica – embora a Paulista o ponto central das discussões.

O que eu vi quando fui: uma das avenidas mais importantes da cidade transformada em três quilômetros de praça. Tinha criança correndo, gente pulando corda, fazendo tour de bicicleta (!!!!), andando de skate, desenhando, bebendo cerveja nos bares. Aquela via que, para muitos, é apenas um parte de seu caminho, uma rua, ganha outro sentido aos domingos. E é bacana ver as pessoas se apropriando da cidade desse jeito.

As pessoas aproveitando a Paulista inteira só para elas <3
As pessoas aproveitando a Paulista inteira só para elas ❤

Às vezes eu tinha a impressão de que algum carro passaria e me atropelaria. Outras, de que estava fazendo algo proibido. É muito louco, né? Você achar que é proibido andar por ali – mesmo quando já está acostumada a fazer isso por aquelas calçadas sempre.

Escrever esse blog me fez pensar muito sobre a relação que construímos com a cidade, nem que seja uma relação passageira. E vocês sabem que, para mim, o melhor jeito de se conectar com uma cidade é andando, explorando a pé o que ela tem para nos oferecer – mais ou menos como um flâneur que anda pela cidade sem rumo, apenas observando.

Foi essa a sensação que tive no domingo em que andei pela Paulista aberta para pedestres: de que eles estavam descobrindo a cidade; se apropriando dela, não transformando-a em um lugar no qual se está apenas de passagem, de deslocamento.

Teve gente pulando corda? Teve sim!
Teve gente pulando corda? Teve sim!

Foi bonito de ver e sentir aquela energia diferente e tão alegre. Por isso, espero que as pessoas aproveitem cada vez mais essa chance de flanar pela Paulista aos domingos. ❤

Escrito por

Carioca apaulistada, jornalista, 26 anos. Gosta de escrever, viajar e um monte de outras coisas que não caberia nessa descrição.

2 comentários em “A Paulista aberta aos domingos: um outro olhar sobre a avenida

  1. Em Brasília, o eixo central que corta a cidade de norte a sul, há pouco mais de 20 anos, aos domingos, é fechado ao trânsito das 8:00 às 18:00. É chamado Eixão do Lazer, todo mundo aproveita e nunca houve reclamações. É lindo. Fiquei de cara quando vi pessoas sendo contra o fechamento da paulista.

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